Eu não me entendo, não entendo também essa diversidade de 'eu' que encontro em mim; A dificuldade com que me expresso, a facilidade com a qual sorrio e a intensidade que amo. Amar?! Essas cartas já são marcadas e mesmo que se queira não é possível escapar da mesma rotina repetitiva de séculos e séculos... que saco! A natureza foi maldosa aos nos dar coração e um inconsciente. Eu viajo nos meus pensamentos, saio daqui rumo a sei-lá-onde e dou uma passadinha em Worderland. Às vezes penso muito e tento controlar tudo, dizer tudo conforme regras ortográficas e com um toque poético; Noutras nem tanto assim, ajo por instinto. Assim, estúpida, impensante, intensa e seguida de uma enorme dose de peso na maldita da consciência.
Em geral costumo ser impulsiva, faz parte de mim isso, essa sou eu... ou ao menos era. Falar e agir duas vezes antes de pensar nem sempre tem suas vantagens e eu pude assistir a isso diretamente do palco! Essa minha mania controladora e esse perfeccionismo misturado com preguiça me levam a sempre ter um freio de mão mas nunca controlá-lo deveras. Se o puxo: decepciono, se o solto: magoo; Hei! 'eu', qualquer dos inúmeros, está na hora de decidir o que ser e como agir, por instinto e impulsos ou premeditações e planos?!
Várias vezes, por frações de segundo, consegui ser controladora dos meus eus e atuar com o meu tradicional impulso. Então fui mal interpretada, vista com um olhar de espanto e recebida com meios sorrisos. O que agrada, de fato, as pessoas? Pessoas normais a seus pontos de vista e que sigam uma regra estipulada indiretamente pela sociedade? AH, que monotonia!
Ontem agi errado, em termos. Consegui controlar meu impulso de ir abraçá-lo ao vê-lo mas não consegui controlar meu hábito de seguir em frente, sem olhar pra trás... nem meu coração, que inda desatina a doer feito dor que não sei dizer. O bolo de festa sempre é mais gostoso no dia seguinte, quando não mais se tem; Sempre achamos que a receita seria bem mais saborosa se mudássemos algum ingrediente aqui ou ali ou se fizéssemos de outro jeito; E o pior dessa minha vida é amar alguém, que é real, porém só existe na minha cabeça, platonicamente perfeito com suas imperfeições. Mas isso fica pra outro dia, outro desabafo, outra tentativa de explicar um pouco o quão confusa sou e me sinto. Aliás, já misturei tudo, pra variar.